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Entidades se unem para transformar indústria brasileira de TI na segunda maior do mundo

por Felipe Dreher

07/12/2009
Sob o selo Brasil IT +, representantes ambicionam entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões do mercado global de software e serviços

Não é de hoje que a indústria nacional de tecnologia da informação quer uma fatia do mercado global. Há anos, os representantes do setor lançam iniciativas para ganhar representatividade. Os avanços eram percebidos lentamente. Mas, agora, isso deve mudar. Entidades resolveram se aproximar para acelerar a expansão ao mercado externo por meio de uma ação comum.

Sete representantes da iniciativa privada do setor somaram forças com entidades governamentais para impulsionar o software e o serviço brasileiros na criação de uma nova marca para a divulgar a TI "made in Brazil" mundo afora. As entidades setoriais trabalham com a missão de transformar o Brasil no segundo maior provedor de tecnologia da informação e comunicações do mundo.

O que desde 2004 chamava-se Brazil IT transformou-se em Brasil IT +, com S escrito em azul, verde e branco e sublinhado com a frase "value beyond expectations". Os próximos passos desta empreitada residem na implantação de uma estrutura de gestão de marca e na garantia que a indústria tenha representatividade no setor.

A estratégia apoia-se em quatro pilares: a origem brasileira, porte do setor no país, habilidade de construir parcerias e capacidade de tornar-se player relevante.

O movimento objetiva a criação de uma linguagem visual única. A iniciativa foi concebida no âmbito de um dos Projetos Setoriais Integrados (PSI) desenvolvido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento (Apex), em parceria com a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

"Durante muito tempo, a brasilidade tinha conotação negativa", comenta Alessandro Teixeira, presidente da Apex-Brasil, uma das organizações por traz da iniciativa, sinalizando que agora os ventos mudaram. "Temos elementos para construir uma imagem forte e sustentável do segmento de TI", enfatiza.

"Em nossa pauta de exportação, o setor de TI tem tido destaque", comenta o ministro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge. Na visão dele, qualquer política industrial moderna tem que ter inovação e tecnologia como elementos indispensável. "É um passo importante para que possamos ocupar melhor o mercado de TI. Mas uma marca sozinha não faz negócio", sentencia, apontando que é fundamental colocar em prática ações para apoiar a nova marca na geração de negócio.

"A questão da marca é importante para que o país passe a ser reconhecido como player global", avaliou o secretário de política de informática do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), Augusto Gadelha, salientando que os provedores brasileiros precisam se posicionar nas lacunas deixadas pelas companhias indianas.

"Dificilmente, a Índia perderá o espaço que o ocupa", reconhece Arnaldo Bacha, vice-presidente executivo da Associação para Promoção de Excelência do Software Brasileiro (Softex), apontando que a ambição brasileira é abocanhar uma fatia entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões do mercado global.

Na visão de Antonio Gil, presidente da Brasscom, o Brasil vive um "momento mágico". O executivo aponta o País como centro de excelência no uso de TI pela vertical de finanças, governo e manufatura.

Segundo Bacha, hoje o setor de TIC representa algo em torno de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Mas a representatividade poderá ser maior em alguns anos. De acordo com o vice-presidente da Softex, 5,2% das receitas das empresas de software e serviços de TI são investidos em inovação, além disso, o Brasil já se transformou no terceiro maior mercado de PCs do mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos.

As empresas brasileiras exportarão algo em torno de US$ 3 bilhões em software e serviços de TI até o fim de 2009. As projeções é elevar esta quantia a US$ 3,5 bilhões, quando o mercado de offshore mundial movimentará US$ 101 bilhões. O mercado brasileiro movimentou US$ 29,4 bilhões, em 2008. O setor de software gerou, no mesmo ano, recursos da ordem de US$ 3,2 bilhões.

Apoiaram o movimento a Softex, Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), MDIC, MCT, Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Associação Brasileira de Empresas de Software (Abes), Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro), Sociedade de Usuários de Informática e Telecomunicações (Sucesu) e da Federação Nacional das Empresas de Informática (Fenainfo).

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